GESTÃO DA CADEIA DE SUPRIMENTOS HOSPITALAR: DESAFIOS E FATORES DE DESEMPENHO

[:pb]A gestão da cadeia de suprimentos hospitalar é um recurso muito útil quando o objetivo é produzir e prestar serviços de saúde com qualidade a custos razoáveis. A adoção desta prática originalmente desenvolvida em ambiente industrial, entretanto, é muitas vezes dificultosa.

O bom funcionamento do sistema hospitalar está diretamente relacionado à capacidade de suprimento adequado dos materiais e insumos que garantam a produtividade, execução dos procedimentos com qualidade e satisfação dos pacientes.

Percebe-se, entretanto, que melhorar a eficiência interna não é suficiente para que estas organizações se mantenham competitivas, sendo necessário administrar fatores externos que exercem influência sobre a organização.

Operando num cenário de custos elevados e crescentes, observa-se por parte dos hospitais um movimento ascendente de busca e atenção à gestão da cadeia de suprimentos.

Supply chain hospitalar

Gestão da cadeia de suprimentos (GCS)

Segundo o Council of Supply Chain Management Professionals (CSCMP), gestão da cadeia de suprimentos consiste no planejamento e gestão de todas as atividades associadas à logística interna e interorganizacional, bem como a coordenação e colaboração entre todos os parceiros da cadeia, sejam eles fornecedores, prestadores de serviço ou consumidores.

Assim, a cadeia de suprimentos é uma rede complexa, pois engloba várias empresas em diferentes níveis: fornecedores, fabricantes, distribuidores e consumidores.

Embora a diversidade de definições sobre o termo seja ampla, comum a elas é o objetivo da integração. Ela se estende não apenas a empresas e entidades, mas também engloba processos e fluxos de informação.

Com a globalização dos mercados e clientes cada vez mais exigentes, muitas empresas têm recorrido à gestão da cadeia de suprimentos como forma de melhorar a competitividade pela contenção de custos, eficiência sistêmica e agilidade nas respostas ao mercado, como lançamento de novos produtos.

Essas organizações têm encontrado caminhos para superação do paradigma “produtos e serviços com mais qualidade e preços mais baixos”.

Fatores de desempenho na cadeia de suprimentos

São considerados fatores relevantes que afetam o desempenho da cadeia de suprimentos:

Integração: diz respeito à colaboração estratégica com os parceiros da cadeia de suprimentos a montante e a jusante, considerando as atividades de suprimentos, fabricação e distribuição;

Coordenação: gerenciamento dos fluxos de produtos, serviços, pessoas e informações nos diversos níveis de gestão, envolvendo os diversos membros da cadeia;

Alinhamento de objetivos: ter compartilhado com os demais membros da cadeia de suprimentos o mesmo objetivo e foco no atendimento aos clientes;

Relacionamento com clientes: conjunto de processos para o gerenciamento das reclamações e sugestões, construção de relacionamentos de longa duração e satisfação do cliente;

Parceria estratégica com fornecedores: relação de longo prazo com fornecedores para compartilhamento otimizado de informações e construção de confiança;

Práticas Lean: voltadas para a eliminação de desperdícios e eficiência interna;

Princípios Just in Time: são baseados na produção puxada, ou seja, impulsionada a partir da demanda e com estoque reduzido;

Estratégia de suprimentos: envolve seleção estratégica de fornecedores, alinhamento estratégico e planejamento de longo prazo;

Compartilhamento de riscos e recompensas: distribuição justa dos riscos, custos e benefícios entre os membros da cadeia de suprimentos, visando o benefício coletivo e a longo prazo.

Gestão da cadeia de suprimentos hospitalar

Hospitais prestam serviços de saúde e, para isso, mobilizam uma série de recursos em benefício do diagnóstico e tratamento dos pacientes. São os recursos humanos, como médicos e enfermeiros, equipamentos, salas de cirurgia, consumíveis como gaze e ataduras, dispositivos e implantes de alta tecnologia, além dos diversos tipos de fármacos. Pensando de forma menos direta, temos ainda os insumos aplicados aos serviços de alimentação, limpeza, lavanderia, resíduos, tecnologia da informação e veículos.

Percebe-se o quanto a cadeia de suprimentos dos hospitais é ampla, diversa e complexa. Seus principais desafios estão em em organizar as atividades para atendimento das demandas com a melhor utilização de recursos possível.

A gestão da cadeia de suprimentos em hospitais estende-se também ao fluxo de pacientes, abrangendo tudo o que se refere às decisões de planejamento e controle para adequação à demanda.

Em relação a sua composição, são retratados quatro agentes principais:

Produtores: são os fabricantes de fármacos, dispositivos médicos e cirúrgicos, implantes e suprimentos em geral;

Compradores: são os agentes que facilitam a distribuição das mercadorias atuando como intermediários entre os produtores e os prestadores de serviços;

Provedores de serviço: são as clínicas, consultórios e hospitais, que utilizam os bens produzidos;

Pacientes: são os clientes finais, juntamente com médicos – nos casos em que cirurgias são agendadas e realizadas nos hospitais por estes indicados/escolhidos.

Vale considerar que o cliente não vai ao hospital adquirir um produto pronto, mas procurar ajuda médica, passando então a fazer parte integrante do processo de produção.

Desafios específicos do setor

Devido à necessidade de maior controle sobre os custos, a gestão da cadeia de suprimentos vem ganhando importância nos hospitais. A adoção de práticas originalmente desenvolvidas em ambiente industrial, entretanto, é muitas vezes dificultosa.

A complexidade das tecnologias empregadas, o grande número de stakeholders envolvidos e o dinamismo dos ambientes interno e externo configuram, de antemão, a problemática para uma adoção de forma mais direta.

Em hospitais, há peculiaridades que tornam a gestão da cadeia de suprimentos especialmente desafiadora. Sendo o foco principal dos profissionais de saúde a recuperação rápida dos pacientes, normalmente os investimentos das instituições de saúde voltam-se para adoção de novas tecnologias e técnicas associadas ao contexto técnico-científico, sendo menos prioritários investimentos em melhorias em processos.

Estudos apontam desafios específicos do setor, dentre os quais merecem relevância:

– Os custos da cadeia de suprimentos representam mais de um terço das despesas operacionais;

– Embora haja intensa colaboração entre os membros da cadeia de suprimentos, faltam dados de qualidade necessários para uma integração de melhor qualidade que traga melhorias no desempenho;

– Ausência de processos e controles para redução da variabilidade, além da pouca automação de atividades configuram uma cadeia ainda imatura;

– A imprecisão nos tempos de atividades é característica de certos procedimentos, como cirurgias;

– Cadeia organizada em funções – cardiologia e ortopedia, por exemplo – dificulta a projeção de uma cadeia de suprimentos sistêmica, mais eficiente;

– Carência de estratégias de suprimentos para os subprocessos departamentais, no que poderiam impactar em melhorias de desempenho no todo;

– Devido ao alto risco e custos associados à falta, muitos suprimentos são solicitados com objetivo de maximização da sua disponibilidade, ao invés da redução de custos de estoque;

– O baixo investimento em infraestrutura de tecnologia da informação impacta na falta de dados de qualidade para integração e eficiência da cadeia.

Conclusão

A gestão da cadeia de suprimentos hospitalar ganha importância na medida que oferece um caminho para superação do paradoxo do aumento da qualidade aliado à redução de custos.
A natureza das atividades e a complexidade dos ambientes interno e externo dos hospitais configuram, entretanto, desafios para sua adoção que merecem ser bem compreendidos.

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