Impacto de Dispensários Eletrônicos na Segurança do Paciente

    As tecnologias atuais são estratégias importantes ferramentas para a prevenção de erros relacionados a medicamentos.

   A utilização de dispensários eletrônicos é cada vez mais frequente nas organizações de saúde, principalmente, devido à otimização da profissão farmacêutica e de enfermagem, que passa a dar ênfase na atenção direta ao paciente, otimização das equipes na assistência aos pacientes, melhorias nos sistemas de saúde e para redução de custos.

 

     A partir da década de 1990, principalmente após a divulgação do relatório To Err Is Human: Building A Safer Health System, emitido pelo Instituto de Medicina (IOM) em 1999, no Brasil inicia-se um movimento em busca pela qualidade e segurança do paciente, através de maior investimento na área e na adoção de certificações e padrões de qualidade. Desde então, segurança do paciente e erros de medicação tem recebido grande atenção e preocupação pelas instituições de saúde. (Ferracini, 2010; Menezes, 2016; National Patient Safety Foundation, 2015; Cochran, 2016).

     Dispensários eletrônicos de medicamentos e materiais médicos são sistemas automatizados de distribuição que permitem o controle e a logística de estoques descentralizados “pontos de estoques avançados”, contribuindo para a segurança do paciente. São processos de melhoria da assistência ao paciente, redução dos erros de medicação, diminuição dos custos e maior aproximação dos profissionais de saúde ao cuidado direto ao paciente.

    Dispensários eletrônicos podem ser definidos como equipamentos que realizam a dispensação de medicamentos através de uma interface entre a prescrição e o equipamento.

     Para que os itens sejam retirados do dispensário eletrônico, estes devem estar vinculados a uma prescrição, o que permite o devido lançamento em conta do paciente , prontuário e faturamento desses itens pela instituição hospitalar, garantindo maior controle dos estoques, redução de glosas, o que também reflete em um melhor controle financeiro.

    A implantação do dispensário traz benefícios relacionados à segurança do paciente, redução no número de pessoal envolvido na logística de medicamentos, diminuição nos valores de estoque, maior controle de validade dos itens e redução do tempo gasto pela enfermagem/farmácia, com deslocamentos para retirada/entrega de medicamentos, além do impacto econômico. Há relatos mostrando que quanto maior a carga de trabalho da equipe de enfermagem, maiores as chances de ocorrem erros relacionados à assistência.

    “Artigo publicado em 2016 de um estudo australiano comprovou que uma unidade de emergência com a implantação de dispensários eletrônicos obteve uma redução de 64,7% de possíveis erros de medicações, comparando com outra sem dispensários eletrônicos”.

    Existem fortes evidências de que a utilização de tecnologias são estratégias importantes para a prevenção de erros relacionados a medicamentos (Ferracini, 2010; Menezes, 2016; National Patient Safety Foundation, 2015; Cochran, 2016).

Com relação ao Impactos de tempo gasto por equipes, podemos destacar:

  • Tempo que os funcionários se dedicavam a atividades relacionadas com a logística e gestão de medicamentos,
  • Tempo gasto para requisitar materiais para a farmácia diariamente e solicitações de urgência realizadas pela equipe,
  • Tempo que a equipe da farmácia leva para atender as prescrições,
  • Tempo de deslocamento entre posto de enfermagem a farmácia dos técnicos de enfermagem, ou equipe da farmácia ao posto de enfermagem,
  • Tempo gasto para realização de devoluções de materiais e medicamentos pela equipe de enfermagem e da farmácia incluindo a necessidade de inventários cíclicos.

     A implantação de dispensários eletrônicos materiais e medicamentos, tende a demonstrar uma diminuição no consumo de medicamentos, devolução de materiais e medicamentos, onde existe uma interface entre os dispensários eletrônicos e o sistema informatizado do hospital e, com isso, as suspensões de medicamentos de uma prescrição ou a alta de pacientes são integradas em tempo real e geridas pelo dispensário eletrônico. Além disso, a dispensação de medicamentos prescritos como “se necessário – agora – urgente” ocorre se houver necessidade do uso pelo paciente, aumentando, inclusive, a segurança. O tempo em que a enfermagem está envolvida com questões relacionadas a materiais e medicamentos interfere diretamente no tempo disponível para o cuidado direto com o paciente.

    Ponto de estoque avançados (Dispensários Eletrônicos), é uma tecnologia em saúde, com potencial para redução de erros de medicação, seus diversos benefícios têm sido mensurados e envolvem significativamente o aumento da segurança do paciente, incluindo a eficiência de dispensação unitária de medicamentos (Medicamento prescrito vs Medicamento Dispensado – Dose – Apresentação – Via – Horário – Quantidade…), além do monitoramento de movimentação do estoque, maior acuracidade e aumentando a rastreabilidade, redução de inventários, desvio de medicamentos e aumento do retorno financeiro.

    Dispensários eletrônicos são implantados em unidades hospitalares com a expectativa de aumentar a eficiência de trabalho de recursos humanos e aumentar a qualidade das rotinas/fluxos e segurança de dispensação de medicamentos e redução de custos.

Leandro T. Ferracini

Fonte:

  • Revista Brasileira Farmácia Hospitalar Serviço Saúde 2018; 9(3):e093.003 (Sabrina Beal Pizzato)
  • Borges Filho WM, Ferracini FT. Prática Farmacêutica no Ambiente Hospitalar. 2 ed, Rio de Janeiro: Atheneu, 2010:139
  • Chapuis C, Roustit M, Bal G, et al. Automates drug dispensing system reduces medication errors in an intensive care setting. Crit Care Med, 2010, 38(12): 2275-2281.
  • Zaidan M, Rustom F, Kassem N, et al. Nurses’ perceptions of and satisfaction with the use of automated dispensing cabinets at the Heart and Cancer Centers in Qatar: a cross-sectional study. BMC Nursing, 2016, 15(4): 1-8.
  • Fanning L, Jones N, Manias E. Impact of automated dispensing cabinets on medication selection and preparation error rates in an emergency department: a prospective and direct observational before-and-after study. Journal of Evaluation in Clinical Practice, 2016, 22: 156-163.

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